Arquivo de Junho de 2008
Sem Categoria admin em 25 Jun 2008
Retorno de férias e observações de viagem
Prezados colegas,
Retornei de férias, ainda que pouco tenha me afastado dos negócios, por conta desta maravilha (?!) chamada BlackBerry. Não é a toa que o chamam de CrackBerry, pois vicia…
Estive em Dubai, pequena (1,8 milhões de habitantes) cidade-estado dos Emirados Árabes Unidos (EAU), que é o maior canteiro de obras do planeta.´
Dubai é governada pelo Sheik de Dubai, que “reporta” para o Presidente dos EAU, que por acaso é o Sheik de Abu Dhabi, que é outro Emirado como Dubai, só que maior. Algumas observações:
1. O Sheik de Dubai resolver transformar o seu pequeno deserto particular, relativamente forrado de petroleo e gás (commodities de muito valor desde 1973), em um país que se desenvolverá e se manterá rico mesmo depois que o petroleo e o gás acabarem por lá (mais uns 25 anos, segundo algumas estimativas).
2. O Sheik contratou os melhores (e seguramente os mais caros) consultores do mundo para que lhe entregassem um Plano de Ação. Estes disseram que deveriam explorar turismo, entretenimento e serviços financeiros, tudo voltado para o público AAA.
3. Como o dinheiro ainda sobra por lá, ele decidiu seguir o conselho e fazer tudo isso…de uma só vez!
4. Edificaram uma generosa rede de hotéis de luxo, shopping centers para todos os gostos - sendo que o maior tem até pista de ski coberta -, safaris no deserto, os mais modernos projetos residenciais e de escritórios, etc., etc., estão concluindo um circuito de Formula-1, festivais de música e teatro abundam, golf, etc., a lista é longa! Dizem que os guindastes para construção cívil estão em falta no mundo, pois a maioria deles está em Dubai!
5. A população local, ao redor de 180 mil pessoas, recebe toda sorte de apoio do Sheik, e.g. casa, energia, água, escola (de 1o. mundo!), “Bolsa-família”, etc. A maioria não trabalha, e não precisa, pois o governo só exige que mantenham os filhos na escola!. Mas eu disse que eram 1,8 milhão, certo?! O resto é “mão-de-obra importada”, sendo a maioria (40%) da Índia, e muitos da China, Filipinas, Indonésia, etc. Poucos brasileiros. É gente de 140 nacionalidades diferentes.
6. Tudo funciona muito bem! Invejável mesmo! Até o pessoal da segurança do aeroporta é internacional, mas trabalham com a mesma seriedade de um local. Lá não tem indústria, não há “produto”. O negócio do país é serviço, e o negócio serviço só vai pra frente se os funcionários encantarem os clientes. Em Dubai eles respiram este conceito!
Fatos que reforçaram algumas visões que já dividi com vocês:
1. Cliente no centro da estratégia, atenção a detalhes: para este povo, o cliente (i.e. o visitante) só está abaixo do Sheik! Você é ‘assessorado’ o tempo todo; todo mundo é cordial, gentil e preocupado em antecipar as suas necessidades. E sempre sorrindo! Apesar do calor escaldante, que justificaria uma certa preguiça - não lá!
2. Gestão da diversidade: como eles fazem o país funcionar e crescer em tantas frentes, com tanta gente diferentes (140 países!), é um segredo para mim. É a prova cabal que diversidade funciona e agrega valor.
É isso por enquanto.
Abraços, FB
Sem Categoria admin em 25 Jun 2008
Compra da SBCE e o folclore brasileiro
Prezados colegas,
Vocês devem se lembrar do Saci Pererê, da Mula sem Cabeça, e de outros seres que o imaginário popular insiste em dizer “que existe”.
Pois bem, a aquisição da SBCE estava quase se enquandrando no grupo acima, mas finalmente temos boas e concretas notícias:
NO PRÓXIMO DIA 3 DE JULHO, 5af, ESTAREMOS NO RIO DE JANEIRO PARA ASSINAR A AQUISIÇÃO DE 48% DAS AÇÕES DA COMPANHIA.
Agora vai! Agradeço o empenho dos colegas que participaram do processo até agora, e convido todos a se engajarem no processo de integração, que em breve se iniciará.
Abraços, FB
Economia & Gestão, Estratégia e Liderança admin em 15 Jun 2008
Comentario pertinente e com sugestao de leitura
Prezados colegas e amigos,
Segue abaixo o comentario do amigo Frederico Madureira sobre o meu ultimo post.
Estou em ferias, viajando de um lado para outro, razao pela qual o blog deu uma hibernada.
Abracos a todos, diretamente do Oriente Medio.
Fernando
Fernando,
Realmente a lógica que você bem explicou acima é muito recente e pouco compreendida.
Ainda não li o paper abaixo, mas segue a indicação. Tem um economista do INSEAD chamado Lazonick que está estuda e escreve exatamente sobre os pontos expostos acima: governança corporativa, estratégia corporativa vs papel do CEO, desempenho e crise (!!).
Maximizing shareholder value: a new ideology for corporate governance
http://fek.uu.se/mw/Vstyrh06/fil/lazonick.pdf
Das próximas vezes, envio um resumo dos principais pontos.
Abraço
Fred
Economia admin em 08 Jun 2008
Capitalismo Acelerado e decisões corporativas
Caros - há um ‘comentário’ recente do Daniel Nobre, seguido de outro do Frederico Madureira, que deram ‘ganchos’ para que eu continuasse, então aqui vai mais um post (e espero mais contribuições deles e de vocês todos, pois o assunto é instigante).
Daniel, eu concordo com você que o Chuck Prince, do Citibank, teria perdido o empregao um ano antes se não partisse para o mercado de alto risco (que na época era mais visto como exotico). Isto aconteceria porque o seu banco ficaria para trás dos seus competidores, em termos de receitas, lucros e market-share. Os jornais diriam que o Citibank “não é mais o mesmo” e que teria ficado excessivamente conservador, e por aí seguiria o calvário de Mr. Prince.
Para não ficar pra trás, ele e muitos outros preferiram entrar no ‘cassino’ e se deram mal coletivamente. Minha tese é que vivemos uma nova era, a qual batizei tempos atrás de Capitalismo Acelerado, onde a performance (e a competência) dos CEOs é julgada a cada trimestre, quando os analistas de ações julgam a performance das empresas abertas. É mais ou menos assim que acontece:
1. O CEO desenha um planejamento estratégico para os próximos 5 anos - logicamente este trabalho leva vários meses e envolve todos os executivos, sem falar no custo dos consultores que o apoiam.
2. Aí o CEO vai ao Board e apresenta o seu Plano. O mesmo é aprovado e todos saem felizes do ‘board room’ para um jantar requintado, regado a ótimos vinhos.
3. O próximo passo é o CEO chamar reuniões (’road shows’) com os analistas de ações e com imprensa, em eventos repletos de slides de power-point, análises e projeções, etc.
4. Os analista saem do evento - que também tem cocktail de alto nível - e eventualmente recomendam que os investidores comprem as ações da empresa.
5. As ações começam a subir, os acionistas (os mesmos que aprovaram o projeto do CEO) ficam muito felizes e decidem pagar um belo (!!) bonus para o CEO e sua equipe.
6. A alegria e a motição abundam na empresa.
Mas a vida real é muito mais complicada que as análises e projeções poderiam sugerir. Todo tipo de incerteza acontece no mundo real, e.g. crises externas afetam o mercado dos clientes da empresa - e por tabela afetam o mercado da própria empresa -, e/ou algum problema no fornecimento encarecerá o custo de produção, e/ou uma nova tecnologia lançada por um competidor-chave o lançara à frente da empresa, etc., etc., etc. - a lista é interminável.
7. Chega a hora de apresentar os resultados do próximo trimestre e o tradicional encontro entre CEO e analistas tem um ‘humor’ radicalmente diferente: o CEO e seu time são acusados de todos os males da humanidade, parecendo que a empresa está a ponto de quebrar!
8. Os mesmos analistas saem da reunião, recomendam a venda das ações - apesar de há pouco terem dito o contrário.
9. Investidores, pouco preocupados com a perspectiva de longo-prazo, resolvem vendem pra valer e, naturalmente, o preço das ações caem.
10. O CEO fica arrasado, começa a ser questionado de suas habilidades por parte dos acionistas ‘estruturais’, e o clima na empresa fica pesado, dá para cortar o ar com uma faca.
11. Por vontade própria, e/ou por pressão de sua equipe direta (que não quer perder mais uma rodada de bonus maravilhosos), e/ou por pressão dos acionistas, o nosso CEO parte para mais um plano de (salv)ação - este, porém, de visão mais imediatista e ARRISCADA!
O novo plano demonstra claramente que os lucros virão rapidamente, até para calar os tais analistas e reverter a tendência de baixa das ações, mas, principalmente, para reforçar a imagem dele perante o seu board.
12. Logicamente o novo Plano é aprovado pelo board - mas desta vez não há champagne.
Daí pra frente é o que se vê em todas as crises - globais ou empresariais. Invisivelmente há uma voz que diz: “Vamos para o plano arrojado, do contrário perderemos muito”. E se der tudo errado? “Bem, a culpa é de todo mundo”, ou ainda: “não temos nada a perder”.
Neste exemplo terrivelmente real, o primeiro plano estratégico talvez fosse bom mesmo - e duradouro -, mas precisava de tempo para se provar. Seria razoável aguentar uma crise, fazer-se alguns ajustes de sintonia fina e seguir em frente. Mas não, pois os analistas são acelerados, os investidores são acelerados, tornando os acionistas estruturais acelerados também - ninguém mais tolera um ou dois trimestre de queda nas ações! O CEO e seu time são logo chamados “a fazer algo”. São cobrados a serem acelerados também. Mas e os próximos 5 anos e a perpetuidade da empresa? Dane-se o longo-prazo! Se eu e você não sobrevivermos ao curto-prazo de que adianta pensar no longo. É assim que se pensa hoje em dia e EU NÃO CONCORDO COM ISSO.
Esta lógica é de uma frieza absurda e de pouca sustentabilidade. Um modo de produção como o capitalismo, que pressupõe a perpetuidade dos negócios, não pode ser reavaliado trimestralmente. É contra a própria lógica do sistema.
Mas fazer o que? Assim é o Capitalismo Acelerado, e é nele que estamos inseridos.
Do it (right!) or DIe.
Daniel e Frederico, meus caros, aguardo a continuação! Ah, e gostaria que vocês citassem economistas/artigos que tratem desta nova lógica, que é tão recente.
Abraços, FB
Sem Categoria admin em 08 Jun 2008
SBCE no caminho certo: assinatura está próxima!
Prezados,
Ao longo deste final de semana, recebemos as últimas manisfestações dos acionistas vendedores, concordando com o último ‘draft’ do contrato de compra e venda das ações.
O governo federal já havia concordado com os futuros Estatutos e com o Acordo de Acionistas.
Hoje mesmo, domingo, disparei um e-mail para todas as partes, visando acordarmos uma data para a assinatura, e um outro e-mail avisando nossos colegas em Paris.
Estamos perto de celebrar esta importante transação para a Coface, mas também para o mercado segurador de crédito brasileiro.
Abraços
Mundo Coface admin em 06 Jun 2008
Carteira da Coface atinge o número 80 no Brasil!!
Prezados Colegas, Prezados Clientes,
É com satisafação que informo (e celebro) que acabamos de fechar mais uma apólice, atingindo a marca de 80 contratos em nosso portfolio.
Mais que o número em sí, vale destacar que isto representa um incremento de 35% sobre maio de 2007, o que é espetacular! Nosso market-share em 2008, segundo dados da SUSEP até março, apontam para 60%. E em premios, já produzimos até abril mais do que fizemos em 2007 inteiro. Fantástico!
Para cada um de vocês, companheiros de batalha, recebam os meus PARABÉNS pela conquista! E para os nossos clientes, aquele MUITO OBRIGADO pela confiança depositada em nossa companhia!
Sucesso para todos!
Fernando
Sem Categoria admin em 06 Jun 2008
Crise internacional de Crédito: longe do fim!
Prezados,
A Coface acaba de anunciar que os avisos de sinistros - portfolio global - subiram 45% nos primeiros quatro meses deste ano, quando comparado com 2007. Apesar de sabermos que este número é reflexo de um pico - e que mais tarde se acomodará -, causa preocupação.
Segundo a nossa matriz, já vivemos a 5a Crise de Crédito pós-choque do petróleo de 1973. Os principais motivos para este cenário são:
1. Redução da demanda por bens e serviços dos americanos (maiores consumidores mundiais)
2. Redução das linhas de crédito dos bancos - em especial dos americanos (a economia mais endividada do mundo é a americana)
3. Alta brutal de matérias-primas e alimentos, que provoca inflação e torna muitos negócios inviáveis
Interessante notar que, até o momento, França e Alemanha não foram impactados por esta crise. Provavelmente por serem muito conservadores.
Leio também que, em função da retração econômica nos EUA, o número de empresários querendo se desfazer dos seus negócios duplicou, em relação a 2007. Chocante! Lá existem muitos websites em que o empresário - em geral de pequeno porte - anuncia seu interesse de comprar ou vender um negócio. Todos estes sites mostram um desequilíbrio, onde há muito mais vendedores do que compradores.
A maior razão? Os empresários não conseguem linhas de crédito para tocar o seu negócio. Quem diria…
Abraços, FB