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Economia & Gestão, Estratégia e Liderança admin em 15 Jun 2008
Comentario pertinente e com sugestao de leitura
Prezados colegas e amigos,
Segue abaixo o comentario do amigo Frederico Madureira sobre o meu ultimo post.
Estou em ferias, viajando de um lado para outro, razao pela qual o blog deu uma hibernada.
Abracos a todos, diretamente do Oriente Medio.
Fernando
Fernando,
Realmente a lógica que você bem explicou acima é muito recente e pouco compreendida.
Ainda não li o paper abaixo, mas segue a indicação. Tem um economista do INSEAD chamado Lazonick que está estuda e escreve exatamente sobre os pontos expostos acima: governança corporativa, estratégia corporativa vs papel do CEO, desempenho e crise (!!).
Maximizing shareholder value: a new ideology for corporate governance
http://fek.uu.se/mw/Vstyrh06/fil/lazonick.pdf
Das próximas vezes, envio um resumo dos principais pontos.
Abraço
Fred
Economia admin em 08 Jun 2008
Capitalismo Acelerado e decisões corporativas
Caros - há um ‘comentário’ recente do Daniel Nobre, seguido de outro do Frederico Madureira, que deram ‘ganchos’ para que eu continuasse, então aqui vai mais um post (e espero mais contribuições deles e de vocês todos, pois o assunto é instigante).
Daniel, eu concordo com você que o Chuck Prince, do Citibank, teria perdido o empregao um ano antes se não partisse para o mercado de alto risco (que na época era mais visto como exotico). Isto aconteceria porque o seu banco ficaria para trás dos seus competidores, em termos de receitas, lucros e market-share. Os jornais diriam que o Citibank “não é mais o mesmo” e que teria ficado excessivamente conservador, e por aí seguiria o calvário de Mr. Prince.
Para não ficar pra trás, ele e muitos outros preferiram entrar no ‘cassino’ e se deram mal coletivamente. Minha tese é que vivemos uma nova era, a qual batizei tempos atrás de Capitalismo Acelerado, onde a performance (e a competência) dos CEOs é julgada a cada trimestre, quando os analistas de ações julgam a performance das empresas abertas. É mais ou menos assim que acontece:
1. O CEO desenha um planejamento estratégico para os próximos 5 anos - logicamente este trabalho leva vários meses e envolve todos os executivos, sem falar no custo dos consultores que o apoiam.
2. Aí o CEO vai ao Board e apresenta o seu Plano. O mesmo é aprovado e todos saem felizes do ‘board room’ para um jantar requintado, regado a ótimos vinhos.
3. O próximo passo é o CEO chamar reuniões (’road shows’) com os analistas de ações e com imprensa, em eventos repletos de slides de power-point, análises e projeções, etc.
4. Os analista saem do evento - que também tem cocktail de alto nível - e eventualmente recomendam que os investidores comprem as ações da empresa.
5. As ações começam a subir, os acionistas (os mesmos que aprovaram o projeto do CEO) ficam muito felizes e decidem pagar um belo (!!) bonus para o CEO e sua equipe.
6. A alegria e a motição abundam na empresa.
Mas a vida real é muito mais complicada que as análises e projeções poderiam sugerir. Todo tipo de incerteza acontece no mundo real, e.g. crises externas afetam o mercado dos clientes da empresa - e por tabela afetam o mercado da própria empresa -, e/ou algum problema no fornecimento encarecerá o custo de produção, e/ou uma nova tecnologia lançada por um competidor-chave o lançara à frente da empresa, etc., etc., etc. - a lista é interminável.
7. Chega a hora de apresentar os resultados do próximo trimestre e o tradicional encontro entre CEO e analistas tem um ‘humor’ radicalmente diferente: o CEO e seu time são acusados de todos os males da humanidade, parecendo que a empresa está a ponto de quebrar!
8. Os mesmos analistas saem da reunião, recomendam a venda das ações - apesar de há pouco terem dito o contrário.
9. Investidores, pouco preocupados com a perspectiva de longo-prazo, resolvem vendem pra valer e, naturalmente, o preço das ações caem.
10. O CEO fica arrasado, começa a ser questionado de suas habilidades por parte dos acionistas ‘estruturais’, e o clima na empresa fica pesado, dá para cortar o ar com uma faca.
11. Por vontade própria, e/ou por pressão de sua equipe direta (que não quer perder mais uma rodada de bonus maravilhosos), e/ou por pressão dos acionistas, o nosso CEO parte para mais um plano de (salv)ação - este, porém, de visão mais imediatista e ARRISCADA!
O novo plano demonstra claramente que os lucros virão rapidamente, até para calar os tais analistas e reverter a tendência de baixa das ações, mas, principalmente, para reforçar a imagem dele perante o seu board.
12. Logicamente o novo Plano é aprovado pelo board - mas desta vez não há champagne.
Daí pra frente é o que se vê em todas as crises - globais ou empresariais. Invisivelmente há uma voz que diz: “Vamos para o plano arrojado, do contrário perderemos muito”. E se der tudo errado? “Bem, a culpa é de todo mundo”, ou ainda: “não temos nada a perder”.
Neste exemplo terrivelmente real, o primeiro plano estratégico talvez fosse bom mesmo - e duradouro -, mas precisava de tempo para se provar. Seria razoável aguentar uma crise, fazer-se alguns ajustes de sintonia fina e seguir em frente. Mas não, pois os analistas são acelerados, os investidores são acelerados, tornando os acionistas estruturais acelerados também - ninguém mais tolera um ou dois trimestre de queda nas ações! O CEO e seu time são logo chamados “a fazer algo”. São cobrados a serem acelerados também. Mas e os próximos 5 anos e a perpetuidade da empresa? Dane-se o longo-prazo! Se eu e você não sobrevivermos ao curto-prazo de que adianta pensar no longo. É assim que se pensa hoje em dia e EU NÃO CONCORDO COM ISSO.
Esta lógica é de uma frieza absurda e de pouca sustentabilidade. Um modo de produção como o capitalismo, que pressupõe a perpetuidade dos negócios, não pode ser reavaliado trimestralmente. É contra a própria lógica do sistema.
Mas fazer o que? Assim é o Capitalismo Acelerado, e é nele que estamos inseridos.
Do it (right!) or DIe.
Daniel e Frederico, meus caros, aguardo a continuação! Ah, e gostaria que vocês citassem economistas/artigos que tratem desta nova lógica, que é tão recente.
Abraços, FB
Crédito e Risco & Economia admin em 26 Mai 2008
Anote estes números: 1 5 0
Numerologia na economia e nos negócios!
Eu sugiro que os empresários e analistas de crédito comecem a pensar na sequência numérica “150″, conforme segue:
R$/US$: 1,50
SELIC: 15,0 % a.a.
Crescimento econômico: 1,50% menor que em 2007
Preço do barril de petróleo: US$ 150
Não resta mais qualquer dúvida: o mundo - incluindo o Brasil - vive dias de inflação em alta. No Brasil, parte desta inflação é de custos (e.g. certos alimentos e metais/minerais), por conta da alta demanda por tais produtos no exterior - é o componente “importado” da inflação; uma outra parte é inflação de demanda (e.g. produtos semi e manufaturados), pois a renda e o crédito estão em expansão no país.
Isto já vem fazendo com que o Banco Central aumente a taxa básica de juros, para segurar a demanda agregada aquecida.
E o cambio, parece que não há piso para o derreter contínuo do US$ frente ao nosso Real. Apesar das balanças comercial e de transações correntes já estarem apresentando deficit mensal, as elevadas taxas de juros (aliadas ao otimismo com o grau de investimento) continuam a ‘patrocinar’ a vinda de investimentos externos para o Brasil. A tendência é que o cambio continue cedendo.
A combinação disto tudo é crescimento econômico menos robusto, ao redor de 4%, em 2008.
Cada setor será impactado de uma forma e, portanto, deverá reagir de forma específica com relação a estas previsões - generalizações não se aplicam.
Abraços
Crédito e Risco & Economia & Gestão, Estratégia e Liderança admin em 26 Mai 2008
A Romi e o Investment Grade do Brasil - como assim???
A qualquer momento mais uma multinacional brasileira!
Recentemente, num dos posts sobre o investment grade do Brasil, eu comentava sobre os impactos deste feito na cotação do cambio.
Uma marca que países desta categoria tem é a expansão internacional de suas empresas. E para a minha melhor surpresa, a Indústrias Romi, do interior de São Paulo, acaba de anunciar a aquisição da italiana Sandretto, tradicional fabricante de máquinas injetoras de plásticos.
A lógica é a seguinte:
- Como o Brasil é considerado um país sólido, há muita moeda forte entrando no país.
- Entrando mais dólar, euro, etc., do que sai, o nosso real se valoriza.
- Com isso, exportar fica mais difícil, mas, por outro lado, nossas empresas tem mais facilidade (mais força!) para comprar concorrentes no exterior.
- Na medida que isto ocorre com frequência - e os juros internos caem também! - o cambio vai encontrando seu patamar de equilíbrio.
Pois é, misturei economia, indústria, grau de investimento, etc. Mas desta salada toda o que mais vale é a bem-sucedida ação da Romi! Parabéns!
Fernando
PS: o grupo mexicano Casas Saba acaba de adquirir a Drogasmil, rede de farmácia que atua, principalmente, no Rio de Janeiro. Viram, o Mexico que é grau de investimento faz tempo, tem crescente presença internacional, inclusive no Brasil.
PS2: e talvez para surpresa de muitos, o novo “homem mais rico do mundo” é mexicano: Carlos Slim! …que acaba de doar US$ 110 milhões para causas humanitárias na América Latina. Arriba, Mexico!
Crédito e Risco & Economia admin em 18 Mai 2008
Endividamento do brasileiro sob controle, diz Serasa
Caros - o brasileiro está mais endividado, não há dúvida. Há uma série de fatores que favorecem este cenário, tais como:
- Juros mais baixos (pois a SELIC despencou nos últimos anos).
- Economia crescendo e aumento da massa salarial da população.
- Bancos com muito mais apetite de crédito do que jamais tiveram.
Só que, conforme já disse até em entrevista, este crescimento de endividamento vem se dando num momento mágico para nosso país, mas uma hora o ciclo de crescimento se encerra e quando virar…
Sim, eu sou conservador e acho que há uma certa euforia exagerada, pois: (a) 0s agentes financeiros estão emprestando dinheiro para clientes novos, com os quais não tem experiência, (b) estes novos clientes também tem pouco - ou nenhuma - experiência de endividamento de longo prazo.
É lógico que para tudo tem uma primeira vez, mas este “momento Valisére” - “a primeira vez a gente nunca esquece” - talvez seja marcado por uma má lembrança.
De qualquer forma, é bom saber que a Serasa detectou que o endividamento bancário médio vem subindo pouco acima da inflação, assim como o valor médio do cheque sem fundo. Por outro lado - sinal amarelo! -, o valor médio das dívidas no cartão de crédito e nas financeiras subiram nada menos que 25%. A Serasa não informa sobre o cheque pré-datado. Deve ter crescido muito também.
http://economia.uol.com.br/ultnot/infomoney/2008/05/15/ult4040u11772.jhtm
Vamos monitorando de perto, pois quando a curva de inadimplência inverter, o comércio vai sofrer e a indústria idem, por tabela. Os bancos também, mas estes tem solidez com folga para absorver o aperto. Os demais não.
Abraços, Fernando
PS: espero que os leitores mais novos já tenham ouvido falar do famoso comercial de TV da Valisére…
Crédito e Risco & Economia admin em 18 Mai 2008
O lucro dos bancos e VOCÊ!
Olá,
Dando continuidade ao último post, vamos discutir algumas verdades que explicam porque as instituições financeiras tem tanto lucro no Brasil, conforme postei no debate do UOL:
- A taxa básica (SELIC) é muito alta e isso alavanca volumes e facilita a confusão com as taxas.
- Bancos são muito focados em ganhar dinheiro e intolerantes com mediocridade.
- O spread bancário, no Brasil, é o mais alto do mundo. Por que: (a) existe uma demanda por crédito muito maior do que a oferta, (b) bancos, financeiras e varejistas não dão conta da demanda, (c) em outras palavras - e como em qualquer mercado -, quando a demanda é maior do que a oferta o preço é alto, (d) e juros é o nome que se dá para o preço do dinheiro.
- Conforme disse o Korody - em comentário abaixo -, os bancos nunca emprestaram tanto em sua história, graças a mudanças e flexibilizações regulatórias. E isso gera muito resultado: para os bancos que emprestam bem e para os clientes que não dão o passo maior que a perna.
- No Brasil, a demanda por crédito (do governo, de empresas e da população) é maior que oferta de crédito (de bancos, financeiras, etc.). E sempre que a demanda é maior que a oferta o preço é alto. E juros é o nome que se dá para o preço do dinheiro.
Aí é que vem o problema: muita gente (empresas e cidadãos) não se relacionam bem com os bancos. Há várias tipologias para tal ocorrência:
a. “Não gosto de banco”: quando não gostamos de algo/alguém é normal não investirmos tempo para conhecê-lo melhor, certo?! Eu não gostava de voar, mas vivia em avião. Passei a ler e a entender de aviação comercial e me convenci que voar era seguro, legal, etc. Se você precisa de crédito tem que entender do assunto. Do contrário vai sofrer, mais do que eu sofria no avião.
b. Baixa concorrência: no sistema financeiro? Não, tem muito banco por aí! As pessoas e empresas é que não promovem concorrência pelo seu negócio! Em geral, quem não faz pesquisa de preços e não barganha, paga mais e/ou tem condições piores - em qualquer negócio, não só em credito.
c. Ausência de transparência: quando mais seu banco e os demais bancos entenderem do seu negócio, maior será a oferta de crédito, maior será o número de bancos querendo fazer negócio com você e sua empresa e, obviamente, menores serão as taxas e tarifas cobradas, mais longos serão os prazos, etc. Atenção: a recíproca é incrivemente verdadeira.
d. Mau planejamento financeiro: há um milhão de razões para que as suas finanças se deteriorem. O problema é não antecipar a conversa “chata” com seus bancos. Deixar para pedir empréstimo, ou negociar o já exitente, quando o barco já está cheio d’água é receita certa para afundamento acelerado.
Falta em nosso país cultura de crédito. Falta educação financeira. E uma das missões deste blog - e minha pessoal - é contribuir para a criação desta cultura. Todos ganharão: os bancos porque emprestarão mais e para mais clientes; os tomadores de crédito porque tomarão mais crédito com juros e tarifas menores.
Forte abraço!
Crédito e Risco & Economia admin em 16 Mai 2008
Lucros dos bancos em debate on-line
Muita polêmica e pouca informação - nada de novo
Escrevo ao mesmo tempo que acompanho (e contribuo para) uma discussão no UOL sobre o tema acima. É que a famosa consultoria de negócios Economatica divulgou um estudo mostrando que os bancos vem lucrando mais no governo Lula do que no governo FHC. O estudo foi feito considerando apenas o 1o trimestre de cada ano.
A gritaria é geral lá no UOL, num misto de indignação com os altos juros cobrados e muita crítica política, pois muitos esperavam que num governo petista isto não aconteceria. A maioria das pessoas, porém, reclama muito, mas não demonstra o mínimo conhecimento de como funciona o sistema financeiro - ou como devemos nos relacionar com bancos. E esta mesma maioria, lamento dizer, também não conhece bem a língua pátria…tem cada coisa escrita…
Vamos aos números (Retorno = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido):
- Governo FHC: retornos entre 9,78% e 18,97% (*)
- Governo Lula: retornos entre 14,77% e 21,94 (**)
(*) A taxa mais alta no período FHC se deu justamente no 1o. trimestre de 1995, quando o país estava a todo vapor, após o bem sucedido lançamento do Plano Real, que acabou com a inflação. Sem contar o otimismo que vivíamos após a eleição de Fernando Henrique, no 1o. turno, que era garantia de continuidade do que estava dando certo.
(**) Os 21,94% do atual presidente se deram justamente neste primeiro trimestre. Desde 1995, se bem que não víamos a economia “bombando” num primeiro trimestre como agora. Geralmente, os meses de janeiro e fevereiro são “sonolentos” no Brasil (e no mundo), pois estamos todos com os bolsos vazios e as linhas de crédito tomadas por conta das compras de Natal. Não em 2008: a economia continua a todo vapor e com o mesmo otimismo e energia do final de 2007, quando o PIB cresceu 5,4%.
Conclusão: existe uma alta correlação entre crecimento econômico (com perspectiva de perdurar) e o lucro dos bancos, pois nestes momentos estes emprestam mais, geralmente para novos clientes que tem menor capacidade de negociar (e pagam taxas de juros e tarifas mais altas). Mas não é só isso.
No próximo post eu irei dar o meu recado sobre o PRINCIPAL motivo para os bancos ganharem tanto dinheiro no Brasil.
Abraços
Crédito e Risco & Economia admin em 14 Mai 2008
Brasil “Investment Grade” – Parte VII
E o risco de crédito? E o seguro de crédito?
O cenário “Brasil investment grade” é bom e não há dúvida que na média, teremos menor inadimplência na economia. Porém, anote aí os seguintes bons motivos para se proteger:
1. Muitos novos devedores de crédito entrarão no mercado. Dê uma corda e um banquinho para uma massa despreparada, que vários acharam uma árvore, um galho e um jeito de se enforcarem – por acidente, mas é enforcamento do mesmo jeito.
2. Economia crescendo é sinônimo de maior necessidade de capital de giro. O Contas a Receber das empresas aumentará brutalmente e com isso o risco de crédito comercial. Mesmo que a inadimplência seja menor, as outrora pequenas pancadas serão grandes neste novo cenário.
3. Crescimento de vendas, necessidade de expansão da fábrica, maior volume de capital de giro, i.e. mais dívida, mais crédito concedido. Em suma, maior complexidade de gestão. As empresas, na média, não se estruturarão gerencialmente na mesma velocidade das oportunidades de negócios que surgirão.
Nosso conselho: acelere, não deixe de surfar esta onda! Mas proteja-se com o seguro de crédito. E vá se estruturando na medida em que lhe sobrar tempo.
Crédito e Risco & Economia admin em 12 Mai 2008
A Crise nos EUA ainda terá desdobramentos sérios
Leia a reportagem de Cristiane Lucchesi, repórter especial do Valor Econômico
O link abaixo remete à entrevista que ela fez com David Rosenberg, Economista-chefe da Merril Lynch. Ele tem uma visão bem clara que o pior ainda nem começou. Até agora os bancos jogaram para prejuízo o que deviam ter “marcado-a-mercado” muitos meses antes. Mas, segundo ele, há uma recessão severa a caminho e junto com ela virá ainda mais inadimplência, em especial em cartões de crédito.
Em janeiro deste ano, a mesma Cristiane entrevistou o CEO da Coface, Jérôme Cazes, quando ele falava em “banho de sangue”. Já vimos a primeira hemorragia acontecer, mas que foi estancada pelo FED ao gerenciar a não-quebra do Bear Sterns e injetar liquidez nos bancos. O economista da Merril sugere até nacionalização de bancos - sim, subliminarmente ele quer dizer que muitos irão quebrar (nos últimos dias, vários bancos pequenos e regionais fecharam as portas).
Sério, muito sério, especialmente vindo de alguém que não tem o menor (!!) interesse de fomentar pânico nos mercados, pois seu banco teria muito a perder com isso.
Boa leitura + abraços, Fernando
Crédito e Risco & Economia admin em 09 Mai 2008
Brasil “Investment Grade” – Parte VI
Trading e arbitragem
Eu concordo com a visão de alguns especialistas – a começar pelo ex-BACEN Alexandre Schwartzman – que dizem: o mercado já antecipou parte da precificação de ativos brasileiros, por conta do investment grade.
É assim, como esta “promoção” de rating viria mais cedo ou mais tarde, muitos se anteciparam e compraram ativos brasileiros (ações, reais, imóveis ou empresas), valorizando-os naturalmente. Mas será que eles valem tanto?
Bem, agora que virá uma nova onda de investidores, crentes que o Brasil ainda está barato e que vale a pena investir aqui, nem que seja para diversificar, é bem possível que os novos entrantes comprem ativos daqueles que entraram antes, quando os preços estavam realmente baratos.
Quem bebe primeiro, bebe água limpa, diz o ditado. Talvez o mesmo ocorra com quem investiu antes: terá mais retorno por conta de ter corrido mais risco (em teoria, pelo menos).